Artigo

A arte de tomar decisões de manejo em anos de maior complexidade

Por Ithamar Prada

Tomar decisões é uma das maiores virtudes e ao mesmo tempo complexidades para quem esta a frente de um negócio, e para o produtor rural não é diferente. 2026 se marca como um ano especialmente complexo com elevação de custos de produção combinados com preços de boa parte das commodities agrícolas em valores mais baixos. Posto este tabuleiro, mover as peças corretas para atravessar este momento de forma saudável é crítico.

Se por um lado o cenário nos mostra ventos contrários, por outro, vivemos em uma era com abundância de dados que permitem ao produtor rural, em propriedades bem geridas, a tomar decisões conscientes buscando alternativas para otimizar custo, sem abrir mão de produtividade, de forma a maximizar os resultados operacionais da atividade agrícola.

Os convido para refletirmos em pontos que devam ser o alicerce para a tomada de decisão. Pensamento estruturado e atenção a conceitos fundamentais: muitas vezes em momentos como este, somos tentados a tomar decisões de forma binária, usar ou não nutrição foliar, aplicar ou não determinado nutriente, o que leva a riscos significativos de redução de produtividade e consequente rentabilidade. Não é porque estamos em 2026, que as leis fundamentais da nutrição de plantas saíram de moda, temos que tomar decisões de forma a otimizar o uso dos recursos, definindo o que podemos entregar de melhor em termos de balanço de nutrientes, de forma a atender o que nos ensina os critérios de essencialidade de nutrientes, a lei do mínimo e a lei dos incrementos decrescentes. Portanto sugiro que as recomendações de adubação para os 14 nutrientes sigam o critério de entendimento da curva de resposta dos nutrientes, buscando o ponto de maior rentabilidade para a sua localidade e cenário atual, e isso varia de um ano para o outro.

Além desta decisão que impacta o manejo da propriedade, assegurar que o planejamento seja executado com precisão é fundamental, visando eficiência, pois desperdícios por operações que não renderam o esperado custarão caro ao produtor, portanto atenção máxima a qualidade de semeadura, das aplicações, das misturas de tanque corretas, entre outras atividades implementadas deve ganhar mais espaço no palco, manejando cada talhão como se gerencia processos em uma indústria de alto grau de especialização.

O que está em alta neste momento: o trabalho de consultorias especializadas para tomar decisões de forma abrangente e bem fundamentadas, as ferramentas de agricultura digital para acessar dados locais e entender as opções de manejo de e tecnologia com maior segurança e probabilidade de resposta, conciliar experiência, dados e conceitos fundamentais.

Além destes pontos muito pode ser feito para otimização de resultado antes e depois da porteira, mas isso é tema para um outro artigo.

Aproveito para pensarmos juntos para além de 2026, como podemos gerar valor adicional ao agronegócio, aumentando a resiliência do setor, e aderência a agenda dos consumidores. Considero fundamental trabalharmos em cadeia para pavimentarmos novas avenidas de geração de valor, pensando no agronegócio não como produção de alimentos, mas também como promotor de saúde, o que pode ser feito, por exemplo, através do aumento da densidade nutricional dos alimentos, um valor que hoje está muito mais na indústria de suplementos nutricionais e farmácias do que na cadeia que deveria estar para aliar escalabilidade e trazer impacto direto na saúde da população e receita adicional para nosso setor.

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